O setor automotivo e as novas demandas da geração Y

Automotiva 1

Diante da atual demanda dos novos consumidores, que anseiam por veículos com custos e formas de pagamento mais acessíveis, com tecnologias focadas em melhorar a segurança e com combustíveis cada vez mais eficientes, o setor automotivo deve realizar uma série de adaptações e inovações para prosseguir diante desse panorama. Em meio ao cenário de desafios, a Deloitte percebeu a importância de compreender os novos consumidores, bem como entender como a indústria pode atender essas demandas.

 Em recente estudo que conduzimos globalmente, percebemos que a geração Y (nascidos entre 1977 e 1994, conforme metodologia adotada pela pesquisa) no Brasil projetam adquirir um veículo nos próximos cinco anos (80% dos respondentes), porém, da mesma forma, apontam o interesse em preços mais atrativos e alternativas mais convenientes de acesso à compra. O estudo “2014 Global Automotive Consumer Study” também aponta que eles desejam tecnologias voltadas à segurança e o uso de combustíveis alternativos e eficientes. Esses são alguns dos pontos da pesquisa realizada a partir da análise de dados de mais de 23 mil consumidores de 19 países. Apenas do Brasil, 2 mil pessoas participaram, sendo 47% delas integrantes da geração Y.

 O destaque para a geração Y se dá por eles representarem a maior fatia de potenciais consumidores desde a geração dos chamados “Baby Boomers” (nascidos entre 1945 e 1964). Foi percebido também que esses consumidores brasileiros são altamente conscientes em relação aos custos com veículos, já que quase dois terços citam condições de acesso à compra e os custos operacionais como razões para não adquirir um carro.

 Inclusive, a geração Y brasileira acompanha as tendências globais e possui as mesmas demandas. A pesquisa se baseou em seis países: Estados Unidos, Alemanha, Japão, China, Índia e Brasil, que serviram para analisar o cenário global, já que, em 2013, esses países representaram 63% das vendas globais de automóveis. Assim, foi possível observar que existe um complexo mosaico de oportunidades e desafios para as montadoras.

 Elas devem estar atentas às expectativas dessa geração brasileira, que, em cinco anos, gostará de contar com uma gama maior de combustíveis alternativos, já que 64% projetam que este fator fará parte de suas vidas no médio ou longo prazos. Eles também gostariam de contar com um apoio a partir do governo para auxiliar a custear essas tecnologias, sendo que 63% indicam que apoiariam programas governamentais que recompensassem os consumidores que optassem por carros com motores alternativos ou com melhoria da eficiência energética.

 No âmbito geral, a geração Y aspira também por recursos que atenuem riscos em relação à distração durante o momento da condução. Os brasileiros também têm esse interesse, focando em soluções de prevenção no envolvimento em situações perigosas de condução. Da mesma forma, mais de três quartos anseiam por tecnologias de reconhecimento, que detectem a presença de outros veículos nas vias e uma grande parte deseja ter acesso a uma tecnologia que lhe permita saber quando excedem o limite de velocidade, por exemplo.

 Além disso, a fidelização às marcas será um desafio para o setor automotivo, já que 88% desses consumidores consideram três ou mais opções na hora de comprar um veículo. Apesar desse público ter uma clara definição do que deseja, as montadoras devem enfatizar e aprimorar a experiência do cliente para melhorar a percepção de valor. No Brasil, apenas 39% sentem que recebem um atendimento bom e com respeito pelos vendedores de automóveis, a segunda menor taxa entre os países analisados.

Para as montadoras, essas conclusões apontam a importância de oferecer uma experiência excepcional aos clientes e investir fortemente em novas tecnologias, com forte destaque para o desenvolvimento de combustíveis alternativos e eficientes. Foi possível identificar quais são as oportunidades interessantes para a indústria automotiva capturar a geração Y, que é uma força jovem, poderosa e cada vez mais influente no mercado.

 *Ivar Berntz é sócio da área de Consultoria da Deloitte e especialista em setor automotivo e Mauricio Muramoto é diretor da Deloitte dedicado ao setor automotivo.

Você, associado, também pode participar deste espaço, enviando novidades e releases sobre a sua empresa. Clique aqui

WhatsApp chat