O dinamismo do agronegócio e a gestão de riscos

O agronegócio no Brasil tem apresentado um fantástico dinamismo. Apesar da queda dos preços internacionais em dólares das commodities agrícolas, o desenvolvimento do setor é marcante e nossas safras continuam em crescimento. A desvalorização da moeda brasileira “compensou” a queda dos preços internacionais e nos permitiu ainda mais competitividade. Essa pujança agrícola dá suporte aos demais setores da cadeia produtiva, que estão conseguindo administrar as dificuldades geradas pelo atual ambiente econômico. Os setores industriais do agronegócio postados antes e depois “da porteira”, embora enfrentem as dificuldades financeiras naturais das elevadas taxas de juros e da acentuada desvalorização cambial, não tem tido grandes problemas com uma inadimplência descontrolada por parte dos produtores como aconteceu em momentos similares do passado. Isso apesar de viver momentos de inquietante retração por parte dos produtores, que atentos aos riscos tem se mostrado mais cautelosos na aquisição de insumos e equipamentos, a indústria tem se mostrado à altura dos desafios do momento.

Tanto os produtores quanto as indústrias, têm se mostrado atentos à necessidade de administrar com cuidado e competência seus riscos.

Mesmo o setor sucroenergético, talvez o mais vulnerável à crise atual devido às condições de mercado anteriores, inicia um momento que indica melhores perspectivas de recuperação, começando a vislumbrar a possibilidade de fusões e aquisições. E deve fazê-lo considerando uma criteriosa análise de riscos. A busca da eficiência e da competividade está no foco dos empreendedores e os processos de gestão corporativa devem contemplar a análise e a gestão de riscos assumidos ao se incrementar investimentos num setor que passa por significativos desafios.

Os riscos que devem ser monitorados através de sistemas monitoramento e de controle. Mas não apenas os referentes a processos administrativos, financeiros, fiscais, de controladoria, de administração de recursos humanos e de controle de ativos. Principalmente no caso do setor sucroenergético, a atenção se volta também à gerência dos riscos de natureza operacional e de planejamento estratégico dos negócios.

O agronegócio vive intensos riscos associados à insegurança jurídica quanto a aspectos tributários, ambientais e trabalhistas, que acabam gerando custos adicionais de conformidade, e é imprescindível que os Conselhos de Administração das empresas os monitorem sistematicamente e definam políticas que os minimizem.

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Paulo Pinese (Sócio de Consultoria Tributária do Interior do Estado de São Paulo da Deloitte, especialista no Agronegócio)

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Manoel Bertone (Especialista da Deloitte no Agronegócio)

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