Milton Paes
Mais de 90 pessoas participaram do evento “Reforma Tributária em Foco: Aplicações Práticas e Soluções Tecnológicas para Empresas”, promovido pelo IBEF Campinas Interior Paulista, com apoio da FIUS, TEWA e IBEF Mulher. O encontro reuniu especialistas para discutir os impactos da maior transformação no sistema tributário brasileiro desde a Constituição de 1988 e alertar empresas sobre a urgência de se prepararem para o novo cenário fiscal.
O painel de abertura foi conduzido por Robson Dias Lima, gerente nacional do Projeto Estratégico da Reforma Tributária de Consumo no Serpro, que apresentou os planos para a implementação das plataformas do CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços). Segundo ele, o grande objetivo da sua participação foi demonstrar como essas plataformas funcionarão na prática. “O público se mostrou extremamente interessado. Cada slide foi acompanhado com atenção porque o que mostramos ali define como será a nova relação entre empresas e o Fisco”, afirmou.
Robson Lima destacou que o maior desafio das empresas não será apenas técnico, mas estratégico. A mudança afeta desde o cálculo dos tributos até a formação de preços e a análise da cadeia de valor. “Não é só trocar o documento fiscal. Empresas terão que rever suas margens, avaliar fornecedores, repensar a precificação e se adaptar à nova lógica do crédito e débito do IVA. Isso atinge toda a estrutura: compras, vendas, precificação, até contratações”, explicou. Ele reforçou que 2026 será um ano-chave, com testes sem arrecadação, oferecendo uma oportunidade para simular os impactos da reforma antes de sua aplicação plena a partir de 2027.
O debate técnico contou com a presença de Victor Rodrigues, Co-fundador e Diretor de Tecnologia da VEROT Soluções; Valdineide Simões, Stat Director | Finance Director Head of CTC Brasil – In-countryTax Treasury and Stat na Mars; Lucas Pardim, Tax Manager da Zoetis e Rafael Moumdjian, Brasil Head of Tax & LTOSyngenta, que trouxeram experiências práticas sobre como grandes empresas estão se organizando para essa transição.
Para o advogado Octávio Ustra, sócio fundador da Finocchio & Ustra (FIUS), a reforma representa uma mudança de regime, e não apenas ajustes em alíquotas ou obrigações. Ele enfatizou que os próximos cinco a dez anos serão marcados por projetos ligados à nova tributação e que a atuação dos escritórios de advocacia deverá ir além do aspecto legal. “Essa mudança impacta todas as áreas da empresa. Será preciso rever cadeias de suprimento, modelos de negócios e margens de lucro. Estamos ajudando nossos clientes com simulações e ferramentas como uma calculadora tributária que antecipa possíveis cenários”, afirmou.
Eliane Salustiano, coordenadora do IBEF Mulher, destacou o alto nível do evento e a importância da presença de especialistas com atuação direta na construção do novo modelo tributário. Segundo ela, o período mais delicado da transição será entre 2029 e 2032, quando o IBS passará a ser gerido por um comitê gestor nacional, o que exigirá forte articulação entre estados e municípios. “A CBS, sob gestão da Receita Federal, tende a ter uma transição mais fluida. Já o IBS vai demandar mais esforço político e técnico”, avaliou.
A principal conclusão do evento foi unânime entre os especialistas: a reforma tributária exigirá uma revisão profunda da estrutura fiscal, contábil e operacional das empresas. Quem começar a se preparar agora terá mais condições de enfrentar os desafios da transição e aproveitar as oportunidades do novo modelo.


