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Reforma Tributária mobiliza executivos e lota auditório do Ciesp em evento do IBEF Campinas Interior Paulista

Milton Paes

O primeiro evento promovido pelo IBEF Campinas Interior Paulista – Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças – reuniu mais de 120 participantes no auditório do Ciesp-Campinas, no dia 27 de fevereiro, para discutir um dos temas mais estratégicos do ambiente de negócios em 2026: a Reforma Tributária. Com o tema “Reforma Tributária – Visão estratégica, Impactos Ocultos, Desafios e Oportunidades”, o encontro consolidou-se como um marco para executivos, contadores, advogados e gestores da região.

O evento trouxe duas perspectivas complementares: a visão corporativa, apresentada por Maria Cristina Pinheiro Machado, Tax PMO da Tetra Pak, e a experiência legislativa e técnica de Adriano Subirá, ex-assessor tributário na Câmara dos Deputados e servidor da Receita Federal entre 1993 e 2024, com atuação desde 2020 no Confaz, na NFS-e Nacional e no PAT-RTC do Ministério da Fazenda.

Debate prático e qualificado

A 1ª vice-presidente do IBEF Campinas Interior Paulista, Élica Martins, destacou o caráter prático do encontro como diferencial. Segundo ela, embora a reforma seja amplamente debatida sob o ponto de vista teórico, o evento conseguiu traduzir os impactos para a realidade das empresas. “A abordagem prática fez toda a diferença. Os profissionais trouxeram para o dia a dia questões que realmente impactam empresas e gestores, tornando o conteúdo claro, aplicável e enriquecedor. Tivemos ainda um excelente espaço de perguntas e troca de experiências, o que elevou o nível do debate e contribuiu efetivamente para a preparação das organizações diante dessa mudança gigantesca que vem para ficar”, afirmou.

A moderação ficou a cargo de Julia Ferreira Costa Barbosa, integrante da coordenação do Comitê Tributário do IBEF Campinas Interior Paulista. Ela ressaltou o perfil qualificado do público e a forte adesão ao evento. “Quase superamos o número de inscrições. Acredito que isso se deve muito ao viés prático. Quando se fala em reforma, ainda há muita discussão teórica – o que é split payment, IBS, CBS – mas quisemos trazer uma vertente diferente: no dia a dia, o que precisa ser ajustado? Quais são os impactos reais?”, explicou.

Segundo Julia, o momento atual já é de execução. “Cerca de 70% dos presentes já estão ajustando sistemas e emitindo notas. Isso naturalmente gera dúvidas operacionais que não estavam explícitas na legislação. Quando vamos para a prática, surgem entraves e novas discussões”, disse.

O desafio corporativo: sistemas e comunicação global

Representando a visão empresarial, Maria Cristina Pinheiro Machado detalhou como a Tetra Pak vem conduzindo internamente o processo de adaptação. “A Tetra Pak tem feito um trabalho muito intenso de explicar a reforma tanto internamente quanto para o global. O envolvimento do negócio no Brasil é fundamental para estruturar a comunicação com a matriz”, afirmou.

Ela destacou dois grandes eixos de trabalho: negócio e sistemas. O principal desafio está na adaptação do ERP global às exigências da reforma. “O governo publica mudanças de forma muito imediata, mas alterar um sistema global não é imediato e custa muito caro. Esse tem sido nosso maior desafio”, afirmou.

A área de Tax lidera o processo, com reuniões semanais e acompanhamento das demais áreas. Para ganhar eficiência, atividades rotineiras estão sendo transferidas para BPOs, liberando o time local para focar na adaptação estratégica. “Não é apenas uma mudança de imposto, é uma mudança de negócio. Estamos revisando contratos, analisando notas de débito, avaliando impactos nas operações e criando estratégias mesmo com definições ainda pendentes”, explicou.

Dúvidas mais complexas e padronização internacional

Do ponto de vista técnico e legislativo, Adriano Subirá observou uma mudança no perfil das dúvidas. “As dúvidas estão aumentando, mas estão cada vez mais qualificadas. Já não são apenas perguntas operacionais; há questionamentos conceituais e contribuições ao próprio processo de implementação”, disse.

Para ele, a Reforma Tributária representa um alinhamento do Brasil aos padrões internacionais. “Quando você apresenta a reforma para um estrangeiro, ele entende rapidamente. Contadores que atuam na Europa, Canadá ou Estados Unidos afirmam que ficará mais fácil lidar com o sistema brasileiro, pois ele se aproxima do modelo adotado em países da OCDE”, declarou.

Oportunidades e riscos na cadeia de suprimentos

Subirá também destacou as oportunidades estratégicas que surgem nesse novo cenário. Empresas que se prepararem adequadamente podem conquistar vantagem competitiva. “Se eu faço a lição de casa e meu concorrente não faz, posso ocupar espaço de mercado. O contrário também é verdadeiro. Quem não se preparar pode perder margem, competitividade e lucratividade”, apontou.

Ele apontou ainda a valorização das carreiras tributárias. Com a promessa de redução do contencioso de massa e da burocracia, advogados e contadores tendem a assumir funções mais estratégicas e de maior valor agregado. Entretanto, há riscos ocultos. “O maior risco está na cadeia de suprimentos. Se tenho 200 fornecedores e um fornecedor-chave não se adapta, ele pode comprometer toda a cadeia. Não adianta apenas a empresa estar pronta; é preciso que o ecossistema esteja alinhado”, destacou.

Preparação como palavra-chave

O evento reforçou que a Reforma Tributária já deixou o campo da teoria para se tornar uma agenda prática e urgente nas organizações. A elevada participação e o nível técnico do debate indicam que o mercado regional está atento às transformações.

Ao reunir perspectivas corporativas e institucionais, o IBEF Campinas Interior Paulista abriu sua agenda de 2026 com um tema central para a competitividade empresarial, evidenciando que, diante da maior mudança tributária das últimas décadas, informação qualificada e preparação estratégica serão determinantes para o sucesso.

Público presente ao evento. Crédito divulgação.
Público presente ao evento. Crédito divulgação.
Maria Cristina e Adriano Subirá. Crédito divulgação.
Milton Paes O primeiro evento promovido pelo IBEF Campinas Interior Paulista – Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças – reuniu mais de 120 participantes

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